quinta-feira, fevereiro 14, 2008

VERANEIO FLORAL

Acho que para os relacionamentos mais persistentes ou conservadores esse agito todo, o sol, os ritmos, as pessoas, o mar, essas saias que encurtam o/no verão(e elas encurtam muito, como um movimento natural e necessário. Talvez podemos compará-lo a chegada da primavera, uma espécie de veraneio floral. Talvez seja um desajuste, conseqüência das mudanças no clima, causadas pelo aquecimento: destituindo o monopólio da primavera), isso mexe com todo mundo.

Porém, os mais persistentes também encontram nesse agito todo a sua pontinha de prazer, pois ousam acompanhar de forma assídua e disfarçada o movimento de veraneio floral. Eles aproveitam a mancada do outro para se insurgirem, para desafogar o talvez-fardo de sua participação limitada nesses acontecimentos em que o sol (ou talvez as flores? Ou as saias? Já não sei mais!) é o protagonista, alterando o andamento ordinário da vida. Nestes momentos, eles se enchem de coragem, estufam o peito, direcionam o rosto para o final do horizonte, e seguramente, se permitem resmungar da vida naquele momento, pois sabem que têm motivos de sobra para isso. Ah, e é tudo provado cientificamente: as flores estão ai para que quiser olhar.


Haluysio Silva

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Carnaval no Rio

Já é hora de mais um Carnaval de amor, de folia, de alegria... Para aqueles que não vão sambar na Sapucaí , segue a lista de Blocos de Rua que trazem marchinhas, muita cerveja e pegação:

  • Imprensa que eu Gamo Percurso: Saída às14h Concentração a partir de 12h no Mercadinho São José - Laranjeiras Sáb, 20 de janeiro Bloco Gigantes da Lira Percurso: Saída às 17h, da pracinha da General Glicério, Laranjeiras Sáb, 26 de janeiro
  • Bloco Carnavalesco Dois prá lá dois prá cá Percurso: Saída Rua da Passagem, seguindo pela Rua Góis Monteiro, Av. Lauro Sodré, Túnel Novo, Av. Princesa Isabel e Av. Atlântica (pista junto a praia ) com término em frente ao Hotel Copacabana Palace. Sáb, 2 de fevereiro, das 14 às 19h
  • Banda Santa Clara Percurso: Rua Santa Clara esquina com a Rua Domingos Ferreira, seguindo pela Av. Atlântica, Rua Paula Freitas, Rua Barata Ribeiro e retornando pela Rua Santa Clara e Rua Barata Ribeiro. Sáb-Ter, 2-5 de fevereiro, das 16 às 22h
  • Banda Miguel Lemos Percurso: Rua Miguel Lemos com Rua Aires Saldanha, somente concentração. Dom, 3 de fevereiro, das 15 às 22h Ter, 5 de fevereiro, das 15 às 22h
  • Bloco Carnavalesco Boca Seca Percurso: Rua Gustavo Sampaio, Rua Aurelino Leal, Av. Atlântica, Av. Princesa Isabel, Rua Gustavo Sampaio e Praça Ary Barroso. Dom, 3 de fevereiro, das 17 às 21h Ter, 5 de fevereiro, das 17 às 21h
  • Banda do Lido Percurso: Rua Ronald de Carvalho, Av. N. Sra. de Copacabana, Av. Princesa Isabel, Av.Atlântica, Duvivier e retornando Rua Ronald de Carvalho Seg, 4 de fevereiro, das 14 às 22h
  • Bloco Galinha do Meio Dia Percurso: Av. Atlântica com Rua Prado Junior até a Rua Francisco Otaviano em frente ao Hotel Sofitel Rio de Janeiro Ter, 5 de fevereiro, das 14 às 18h
  • Spanta neném Percurso: Ciclovia da Lagoa do Corte do Cantagalo - Clube Caiçaras. Sáb, 19 de janeiro, das 12 às 18h Me Esquece... Percurso: Rua Rita Ludolf, General San Martin, Av. Delfim Moreira, até ao Jardim de Alah. Dom, 20 de janeiro, das 12 às 18h
  • Simpatia é quase Amor Percurso: Praça General Osório seguindo pela Rua Teixeira de Melo em direção a Av.Vieira Souto até a Rua Henrique Dumont, onde haverá a dispersão. Sáb, 26 de janeiro, das 15 às 22h Dom, 3 de fevereiro, das 15 às 22h
  • Imaginou Agora Amassa Percurso: Rua José Linhares, Av. Ataulfo de Paiva, Rua Almirante Guinle e Av. Delfim Moreira. Sáb, 26 de janeiro, das 11 às 17h
  • Bloco Suvaco do Cristo Percurso: Rua Jardim Botânico na altura da Rua Faro até a Praça Santos Dumont Dom, 27 de janeiro, das 11 às 18h
  • Rola Preguiçosa Percurso: Rua Maria Quitéria, Rua Visconde de Piraja até a Rua Farme de Amoedo. Sex, 1 de fevereiro, das 19 às 22h
  • Bloco Vem ni mim que sou facinha Percurso: esquina da Rua Jangadeiros com a Rua Prudente de Moraes Sex, 1 de fevereiro, das 17 às 21h Percurso: esquina da Rua Jangadeiros com a Rua Prudente de Moraes Ter, 5 de fevereiro, das 17 às 21h
  • Banda de Ipanema Percurso: Praça General Osório, Av. Vieira Souto até a Rua Joana Angélica, Visconde de Pirajá até a Praça General Osório, onde haverá a dispersão. Sáb, 19 de janeiro, das 15 às 22h
  • Bloco Bangalafumenga Percurso: Rua Pacheco Leão (Concentração Praça da Rua Von Martius) até o Jardim Botânico, onde haverá a dispersão. Dom, 3 de fevereiro, das 14 às 20h
  • Bloco do AfroReggae Percurso: Av. Vieira Souto - entre o Posto 7 e o Posto 9 Dom, 3 de fevereiro, das 15 às 19h
  • Que M...é essa Percurso: Esquinas da Rua Nascimento Silva com Rua Garcia D'Ávila, seguindo em direção a praia, continuando pela Av. Vieira Souto em direção ao Leblon com término em frente ao Jardim de Alah Dom, 3 de fevereiro, das 14 às 18h
  • Pede Passagem Percurso: Jockey Club até Praça Santos Dumont Seg, 4 de fevereiro, das 12 às 17h Bloco Virtual Percurso: Concentração às 17h no Posto 9, na Avenida Vieira Souto, seguindo para o Arpoador. Qua, 6 de fevereiro
  • Galinha do Meio Dia Percurso: Av. Delfim Moreira, pista junto a praia, seguindo pela Av. Bartolomeu Mitre até Rua Vinicius de Moraes Dom, 10 de fevereiro, das 3 às 19h
  • Se Não quer me dar, me empresta... Concentração: a partir das 16h - Rua do Lavradio, nº 90 - Lapa Percurso: Rua do Lavradio, Av. Mem de Sá, Rua do Riachuelo, segue de novo a Av. Mem de Sá, Rua do Lavradio para dispersão Sáb, 2 de fevereiro, a partir das 16h
  • Carnavalesco Carioca da Gema Percurso: Rua do Lavradio em frente ao nº 168 (Concentração, às 15h), Rua do Lavradio, Rua dos Arcos, Praça Cardeal Câmara. Sáb, 2 de fevereiro, às 16h
  • Cordão do Prata Preta Percurso: Rua Sacadura Cabral, em frente ao nº 373 (Concentração), Rua Sacadura Cabral, Rua Conselheiro Zacarias, Rua Leôncio de Albuquerque, Rua Pedro Ernesto, Rua Sacadura Cabral, Rua do Livramento, Rua do Propósito, Rua Sacadura Cabral. Sáb, 2 de fevereiro, às 16h
  • Cordão do Boitatá Percurso: Rua do Mercado à Praça XV Dom, 3 de fevereiro, às 9h
  • Bloco das Carmelitas Santa Teresa Percurso: Esquina de Rua Dias de Barros com Ladeira de Santa Teresa Percurso: Largo do Guimarães Ter, 5 de fevereiro
  • Escravos da Mauá Concentração: Largo da Prainha Dom, 27 de janeiro, às 16h

Depois de tanta coisa boa, sempre lembre de usar camisinha. Faça amor seguro.

informaçoões retiradas do site Riotur

quinta-feira, dezembro 20, 2007

NÃO À
TRANSPOSIÇÃO DO
RIO SÃO FRANCISCO.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Espécie de Flor

Era quarta-feira fora de época, um dia quente demais para início de primavera. O horário das três da tarde era a volta dos empresários do almoço, o curso de inglês das crianças, a consulta no dentista. E ele mal tinha acordado. Saiu do apartamento no Humaitá com o pescoço ainda quente, tomou só um copo d’água e vestiu moletom e calça jeans, não gostava de comer nada assim tão cedo. Desceu de elevador e logo se arrependeu pelo casaco no ar abafado.Mal percebeu que caminhava em direção à Cobal quando atravessou o portão. Gostava de se perder pelas ruas de Botafogo, mesmo sabendo que não fugia do eixo Voluntários, o rio que corta o bairro em tons desbotados. Ele sabia, Botafogo é cinza.Hoje é dia de feira, os feirantes anunciavam. As donas paravam, davam uma olhada, eles insistiam, a fruta tá uma delícia, fresquinha, quer experimentar. Nem sempre elas experimentam. Ele se aproximou, alguma coisa chamou sua atenção, e não era bem uma fruta.Uma alcachofra. Vegetal com formato de flor, só que uma flor bruta, parece pré-histórica, até as cores são jurássicas. Imaginou a primeira pessoa a experimentar uma alcachofra, mordendo-a inteira, até descobrir que a carne é fininha, um detalhe, está escondida, não mata a fome. E para alcançar o coração da alcachofra é uma dificuldade. O coração fica debaixo das pétalas, debaixo de uma espécie de capim grosso que irrita a língua.Segurou a alcachofra absorto. Entregou uma nota de dez reais, é só isso. Era a primeira vez que comprava uma alcachofra, ele que nunca sentiu uma empatia especial, que inclusive rejeitou em jantares, achava sem gosto, uma coisa boba. De repente ficou constrangido: algumas pessoas soltavam risinhos. Era a paixão com que ele segurava a alcachofra.Quase assim como se fosse um filho. Ou a mulher amada. Ele abraçava a alcachofra contra o peito, até dispensou o saco plástico, jogou as moedas no bolso e alisou as pétalas de cima. Era um cetro, um buquê, uma forma exótica da natureza. Tomou o caminho de volta pra casa, mal podia se segurar da inspiração repentina, e pensou onde no apartamento poderia esconder jóia tão rara.
Alice Sant´Anna

Gabarola Tupiniquim

Chegou à rua, da qual não recordava o nome, olhou para a esquina iluminada. Atravessou a rua confiante rumo ao balcão onde, debruçado em frente às mortadelas, o seu amigo de todas as noites fitava o nada. Mas como se chamava mesmo? Ah! Antes da saideira, “chefe”, depois a língua enrolava e ele demitia o “patrão”. Vendo-o chegar, o “chefe”, acostumado, servia-lhe a picada de cobra. E ele, satisfeito com a reverência, bebia num gole só. Isso é que era prestígio, pensava com orgulho de si mesmo. O “chefe” cabisbaixo caminhou até uma janela engordurada, esticou o braço e num esforço alcançou a travessa na qual repousavam duas sardinhas fritas. Foi até o rolo de papel de embrulho e destacou com destreza. Forrou o prato de vidro, colocou as sardinhas e deu o toque final com uma folha de alface estrategicamente colocada.Uma mosca solitária se despediu das sardinhas. Restava-lhe a travessa polvilhada com farinha.
Mirian Lopes

quarta-feira, dezembro 05, 2007

ESTAÇÃO DE IDÉIAS: VÔO DO VAZIO

ESTAÇÃO DE IDÉIAS: VÔO DO VAZIO

Taxista ganha "caixinha de Natal"



É chegada a hora que as empresas começam a distribuir cestas de Natal com o famoso perú, panetoni...nelas, acontecem os amigos ocultos e é a chegada do sálario mais esperado do ano. Para uns ele vai direto para o banco para cobrir as dívidas acumuladas durante o ano. Outros vão garantir um “look” novo para as festas de fim de ano.
Quem disse que taxi também não ganha a “caixinha” de final de ano? Chega dezembro e muita gente se pergunta porque os taxistas correm em bandeira 2. Ao invés de cobrar em 10 em 10 centavos, em dezembro é cobrado de 15 em 15.
Segundo o Wikipédia o décimo terceiro é conhecido como a gratificação de Natal. Foi instituída no
Brasil levando ao empregadores a pagar ao trabalhador em duas parcelas até o final do ano (veja as regras para o pagamento). O valor da gratificação corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração por mês trabalhado.
Portanto não se assuste em plena segunda-feira às 9 horas da manhã quando pegar um taxi e tiver marcando o 2 no taxímetro. Taxista também tem conta para pagar.


Germano Penalva

terça-feira, dezembro 04, 2007

Ilusionismo ou mágica?

Toda criancinha uma hora descobre que Papai Noel não existe, que as nuvens não são feitas em uma fábrica de algodão doce e que mágicas são apenas truques.
De que a conquista da democracia foi importante para a America Latina nenhum "novo velho brasieiro" tem dúvida, afinal foram anos de ditadura. O certo é que sempre tem um "Mr. M" para revelar os truques do venezuelano, Hugo Chaves, que até então iludiu muitas criancinhas. Inclusive o presidente do Brasil, Lulinha. Dessa vez foi o tempo( 14 anos).
Como toda mágica existe uma preparação para que dê certo como foi planejada, Chaves também tem seus truques:

  • Plebiscitos quando é POP
  • Garantia de jornadas menores
  • Proteção aos trabalhadores informais
  • Desce do palanque para ficar no meio do povão
  • Faz cara de "povo"
  • Diz que quem divergir da Mágica é um "TRAIDOR"
  • Passa um pano preto por cima e ver o resulatdo

Dessa vez o coelho não saiu da cartola. Segundo Chaves a Mágica não deu certo porque seu truque perdeu 3 milhoes de espectadores em relação a última eleição dele quando tinham 7 milhões aplaudindo.

Devemos sempre lembrar que Chaves é amigo de Lulinha. Lulinha apoia Chavinho. Mas sabemos que não queremos Chavinho fazendo mágica aqui no Brasil nem que Lulinha venha fazer as mágicas de seu amigo aqui. Cuidado! Essa é a nossa palavra para com o nosso presidente. Ele que vir fazer mágica aqui no Brasil. Temos que desevendar a mágica de Lulinha antes que ele tire o coelhinho de olhos vermelhos da cartola.

Germano Penalva

sexta-feira, novembro 30, 2007

NOITE


Noite, o silêncio toma conta do meu quarto sob o aconchego da luz da lua. Reflexões do dia, vejo a TV, conversas superficiais através da máquina, rabisco algo, pego o violão, vou tentando exprimir os meus desejos mais íntimos, procurando a combinação que melhor irá se encaixar nesse meu quebra-cabeça de sentimentos. Acordes maiores, menores, com sétimas e nonas, ainda apenas acordes. Angústia, talvez vá explodir, ainda não consigo equacionar, mas não é um resultado de uma operação matemática, é minha vida e não descubro a fórmula, se é que há uma. Desligo a TV, esqueço o violão, e vou pra cama, viro, reviro, mudo de lado, troco os travesseiros, me descubro, o reflexo forte da luz da lua a zelar pelo meu sono, tranqüilizo. Sono profundo, sonhos, ahhh.! Como é bom este, tô feliz, relaxado até com o violão na mão, rodando por uma casa de praia, muitas pessoas, parece haver uma festa, uma banda de amigos toca, sou expectador, sem obrigações naquele dia só me me divertir. Vou para um lado e para o outro, vou chegando mais a frente do palco e de repente vejo ela, que se destaca no meio daquela gente toda, parece que encontrei a minha paz, tudo fica em câmera lenta, parte do sentimento completo. De repente me distraio e já não to perto dela, quero voltar, ouço alguém, talvez minha Mãe, é minha Mãe me acordando, hora de ir pra faculdade. Não acordo, quero continuar o sonho onde estou tão tranqüilo e longe de tudo e tão perto de mim mesmo, digo que vou mais tarde, (sem abrir o olho pra não me desligar do sonho), volto a dormir e compartilhar de todos os sentimentos e sensações que procuro acordado.

Vinícius Cohin

quinta-feira, novembro 29, 2007

Se, algum dia, te chamarem para ir à Rotisseria Sírio Libaneza, não se assuste com o programa desconhecido ou não pense que estão te colocando em uma furada. Afinal, esse é o nome do famoso “Árabe do Largo do Machado”, apelido carinhoso dado por fãs que o consideram o melhor cantinho árabe do Rio de Janeiro. O restaurante, que fica na Galeria Condor, foi fundado em 1967, por Hamed, um sírio, que deixou como herança o tempero da comida árabe.
O local é um ambiente típico: ventiladores no teto, vidros coloridos nas paredes, frutas expostas nas prateleiras, além do clássico estilo “bunda-de-fora”, que resiste ao tempo e à modernidade. Há 15 anos, o Árabe mudou de mãos. O português João da Rocha Pereira e seus sócios compraram o negócio e se instalaram na mesma galeria, em um espaço mais generoso, que ocupa duas lojas. Apesar das mudanças, eles mantiveram a receita e o tempero que, segundo funcionários e clientes, fazem a diferença.
– O sucesso é ter um tempero bom e tratar bem a freguesia. A concorrência não está com nada, declara Sebastião Ferreira de Souza, auxiliar de gerência e 30 anos de casa.
Ele faz parte da equipe de 23 funcionários que ajuda a manter a tradição do lugar. Segundo Souza, as esfihas (R$ 1,80, a unidade) são o carro-chefe da casa e são vendidas, em média, mil por dia. As de queijo e as de carne são as que têm mais saída.
Um costume pitoresco da casa merece destaque. Experimente pedir uma esfiha, e o atendente servirá duas no prato. Uma tática antiga para poupar trabalho.
– Ninguém vem aqui para comer uma só esfiha, explica Antônio Alberto Prado, atendente do Árabe há 25 anos.
O kibe (R$ 1,80, a unidade) também é muito vendido. Pratos como kafta com arroz de lentilha, kibe cru com coalhada seca, repolho e grão-de-bixo fazem muito sucesso. Qualquer prato sai por R$ 10,50 e pode ser servido em meia-porção ou embalado para viagem (R$ 11).
De acordo com os funcionários, o Árabe tem clientela cativa e o número de freqüentadores jovens aumenta cada vez mais. Uma prova de que o restaurante consegue deixar sua marca de geração em geração. A estudante de Ciências Sociais Laura Schnoor vai ao local pelo menos uma vez por semana, para comer a esfiha de verdura e beber o mate da casa (R$ 1,20). Para Laura, a esfiha de verdura é a melhor que ela conhece, pois não leva espinafre na composição. Ela morava no Cosme Velho e, agora que se mudou para perto da galeria, considera-se “de casa”. O estudante de Engenharia João Marco Oliveira fez o caminho oposto ao de Laura. Há dez anos mudou-se do Flamengo para a Barra da Tijuca, mas mesmo assim continua cliente do Árabe. Pelo menos uma vez a cada dois meses ele aparece por lá.
– Esse restaurante faz parte da vida da minha família. Antes de eu nascer, meus pais já comiam lá, diz o estudante que também usa o local como ponto de encontro de antigos amigos de infância.
– O ambiente agradável, o bom atendimento e a comida juntos são uma boa fórmula, acrescenta João.
Uma fórmula que deu certo e que continua dando.
Serviço:
Rotisseria Sírio Libaneza, Largo do Machado, 29 – Galeria Condor.
Telefones: (21) 2557- 2377/ 2205- 2047. De segunda-feira a sábado, das 8h às 23h

Carolina Vaisman

ESTAÇÃO DE IDÉIAS: Nosso espaço!

ESTAÇÃO DE IDÉIAS: Nosso espaço!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Mais uma vez o tempo que deveria ter se esticado até que eu voltasse outra, nova, mudada e melhorada pessoa, não o fez. Manteve-se curto, inelástico, contra todas as minhas vontades de me desdobrar e me descobrir entre suas ondas. Naufraguei-me, e nadando contra a corrente, não saí do lugar. Não tive coragem de atirar-me ao mar, nem explorar ilhas desertas com desapego ao meu mundo, conhecendo o além-mar. Repeti a rotina da mesquinhez, que embora tenha sido nova, não parecia. Sem o menor esforço, caí de volta ao normal ao já tão conhecido, deitando na praia e pensando nas mesmas “pequeninces” da vida que a tanto tempo penso sem agir.

Agora, já é o final do verão, de outro largo período de tempo que tinha separado como auto-didático nas lições da vida, e de momento de profundas mudanças e reflexões sobre a minha própria existência e caminhos de devaneio.

Mas não, mais uma vez, seja por falta de esforço próprio ou pela influência maior de fatores externos (que duvido) não me sinto outra. Nem maior nem melhor, nem mais sábia nos conhecimentos do mundo.

Aprofundei apenas minhas incertezas, e minhas certezas também, e me deixei terminar este falso verão da mesma maneira com que nele, embarquei. As incertezas aprofundei por relação com outros, quando me indagava sobre meu próprio caminho e vi quantos outros têm a força que os levará `a ação mesmo sem ter o caminho já traçado. Vejo que me iludo menos, e na minha incerteza não logro tão bem convencer os outros de minhas falsas virtudes, vaidades e exclamações. A certeza que cresceu, no entanto, foi outra. As pessoas antes que eu as conheça, não me conhecem, não me julgam como eu as julgo e não esperam de mim o que eu acho que me cobram.

Nada é certo no começo incerto, e tenho que aprender a começar do zero. Sem arrogâncias ou falsa modéstia, tenho que me dispor a conhecer tudo que eles me têm a ensinar, e fazer ao máximo e de verdade tudo que me disponho a exibir.

Carol Stern

quinta-feira, outubro 18, 2007

A arte de grafitar as ruas.

Diferente da década de 1970, o grafite, hoje em dia, é considerado obra de arte. Cada vez mais, aumenta a procura de galerias de arte por artistas que expressam suas ideologias nos centros urbanos. Da atividade marginal que atingiu o Rio de Janeiro na década de 1970, o grafite ganha espaços em galerias de arte e casas de artistas famosos.
Para os manos que não sacam nada de grafite, vale ressaltar que dentro desta arte existem subdivisões. De um lado, pode-se falar do ”Grafite Hip Hop” que possui como elementos principais letras e personagens caricatas presentes no movimento Hip-Hop. No outro lado, encontra-se o Grafite Acadêmico, que utiliza-se de stencil e é geralmente praticado por estudantes de Escolas de Arte.
Quando o grafite começou, era carregado de ideologia. Surgiu no pós-guerra como forma de protesto e ganhou força com o movimento estudantil na França, em maio de 1968. Não demorou a chegar ao Brasil. No final da década de 70 e início de 80, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, o grafite já estava difundido. Os estudantes brasileiros protestavam contra o sistema capitalista através de pichações em muros da grande São Paulo.
O que se observou ao longo desses quase 40 anos foi que as atribuições aos pichadores e grafiteiros modificou-se. Quando o movimento começou, pichadores e grafiteiros eram considerados transgressores de leis. Hoje, são artistas.
No Rio de Janeiro, a arte de rua dos grafiteiros e pichadores ganha espaço em galerias e chama a atenção das pessoas que passam em ruas como a Avenida Jardim Botânico. Artistas cariocas, como Toz, que faz parte do grupo de grafite Fleshbeck Crew, grafita há oito anos. Formado no curso de Arte e Desing da UniverCidade, Toz diz que não se importa com opiniões de pessoas que criticam a exposição de suas obras em galerias como a Choque Cultural, em São Paulo. “A vibração das ruas leva às galerias. Pinto com conceito, retrato a minha vida e o meu redor”, disse Toz.
O artista soteropolitano diz que quando chegou ao Rio, na década de 80, o grafite era marginalizado, mas que atualmente essa arte ganhou outra conotação.
Toz já criou diversos personagens, mas o preferido de seu público é Nina, boneca com traços orientais e mistura de influências do universo feminino, principalmente de sua sobrinha. Seu nome origina-se da palavra “menina“. O artista caracteriza a personagem como uma boneca sonhadora.
Quem quiser conhecer o trabalho de Toz pode acessar o fotolog do Fleshbeck Crew ou percorrer as ruas do Jardim Botânico. O artista possui maior número de trabalhos na Zona Sul carioca: “O grafite tem a parada de você sempre ficar vendo sua arte depois de feita”.
escrito e fotografado por Germano Andrade Penalva

VÔO DO VAZIO

Estando cheio de tudo- de mim, do outro, do universo- precisei aprender a virar-me pelo avesso para encontrar o meu vazio. Comecei, assim, a tecer a paz.
Rita Quadros
Livro: Borboletas Lilases em Casulos Organizacionais

VÔO INÚTIL

Querer aparentar e pensar que consegue.
Insistir em formar vínculos apeasr da rejeição.
Agradar aos outros se desagradando.
Demonstrar o que não tem eco em si próprio.
Dar dinheiro quando se precisa de afeto.
Apontar no outro o que também está em si mesmo.
Jogar o medo embaixo do tapete.
Ser um vulcão de ira sem jamais entrar em erupção.
Preferir quebrar por inteiro para não ceder.
Fazer as pases quando a guerra interna continua.
Querer o lugar do outro quando ainda não definiu
o seu próprio espaço.
Rita Quadros
Livro:Borboletas Lilases em Casulos Organizacionais